VIGÉSIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

Hoje, com toda a Igreja, celebramos a festa da Assunção dentro do XX Domingo do Tempo Comum. A festa da Assunção de Maria é um tesouro, que coloca-nos diante da necessidade de estar sempre na presença de Deus e, assim como Maria, devemos nos colocar como servos e servas para o serviço que nos conduzirá através da Iniciação à Vida Cristã (IVC). Esta festa em que celebramos a assunção também deve marcar em nosso coração que Maria é resgatada e levada ao céu, pelos méritos de Cristo seu divino Filho.

A primeira leitura do livro de Ap 11,19a;12, 1.3-6.10ab, abre falando da Arca da Aliança, como vemos em Ap 11,19 ... 12,1 “Abriu-se então o templo de Deus, que está no céu, e a arca apareceu em seu templo ... Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher, vestida de sol, a lua debaixo dos pés, e uma coroa de doze estrelas na cabeça”.

Uma visão traduzida por um grande sinal, o sinal da proximidade de Deus da humanidade, o sinal de seu desejo ardente de  salvar a todos, um sinal que vence todas as fragilidades humanas, em meios a tantas perseguições, o sinal da realeza e do poder de Deus que envia seu filho, Jesus Cristo, no ventre de Maria, com a missão de salvar a todos, tendo seu projeto salvifico  refletido no ensinamentos dos apóstolos, (aqui representada pela coroa de 12 estrelas) que tiveram como  modelo a pedagogia de Jesus. 

 Em Ap 12, 3 “Apareceu então outro sinal no céu” diferente do primeiro, aquele, é tratado como um grande sinal, este apenas como um sinal, um dragão. Para João era um grande dragão, carregando em sua natureza, a maldade, sua missão era perseguir, destruir o recém-nascido, plenificado no amor que nasce do coração de Deus, um amor, inclinado a perdoar, a ter misericórdia e agir com justiça. Más o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus que agiu para proteger a criança, age em nossa vida para proteger-nos de todo mal que emana do mundo aqui representado pela ação do dragão, que apesar de sua força, se apresenta com docilidade, para desfaçar o poder destruidor, recomendamos vigilância, pois o poder, que é serviço, amor, perdão e justiça, prevalecerá, a vitória já é nossa, todavia precisamos conquista-la, fazendo a adesão à Nosso Senhor Jesus Cristo, com toda liberdade que caracteriza o verdadeiro filho, como lemos em Ap 12,10 “Eis o tempo de salvação, da força e do Reinado e do poder de Cristo.” 

A segunda leitura, 1 Cor 15,20-27a, nos revela que a Assunção é uma forma privilegiada da Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.

O Pe José Bortoline em seu livro “Roteiros Homiléticos” faz uma síntese maravilhosa que coloco para nossa reflexão:

 “Na passagem escolhida para a festa da Assunção, o apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.

O apóstolo não evoca Maria, mas se proclamamos esta leitura na Assunção, é porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.”

O evangelho segundo Lc 1,39-56 nos pede um exercício do lectio divino, modelo que achei para refletir sobre o Magnífico encontro de Maria com sua prima Izabel, inspirado no Missal Dominical, Paulus, p. 1346.

Maria, proclama que, Deus realiza um tríplice inversão das situações vividas por toda a humanidade ao longo da história, estas proclamações derrubam todas as ações ideológicas contrárias ao projeto de amor trazido por Jesus.

No campo religioso:  Deus derruba as autossuficiências humanas; confunde o plano de poder fora do serviço, que nutrem os corações desviados e soberbos, que erguem-se contra Deus, encarcerando o homem nas prisões do pecado. Dentro desta perspectiva elevemos nosso clamor para que seja suscitado das comunidades homens e mulheres, segundo o coração de Deus, para garantir que se faça uma caminhada de orientação catecumenal, na Iniciação a Vida Cristã. “Oremos” 

No Campo político: Deus destrói os injustificáveis desníveis humanos, abate os poderosos, dos tronos e exalta os humildes, repele aqueles que se apoderam indevidamente da vontade dos povos, e usufruem estes poderes em seu próprio benefícios. Oremos para que os poderes políticos sejam usados para promover a pessoa humana, dando-o, dignidade proveniente da educação, saúde, segurança, moradia sem esquecer o lazer.

No campo Social: Deus transforma a aristocracia estabelecida sobre o ouro e meios de poder, cumula de bens os necessitados e despede de mãos vazias os ricos, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade entre os povos. Oremos para que nosso coração seja transformado, para buscarmos o essencial, que é a paz, como nos ensina Santo Agostinho. “Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.” 

Que, pelas mãos de Maria, nossa Oração chegue a Te Senhor, para que nossos pecados sejam perdoados, e possamos contempla-lo, sentindo sua docilidade, seu amor, seu abraço e seu beijo.

Finalizando aqui nossa reflexão de um tema tão vasto e inesgotável A festa da Assunção de Maria convida-nos a olhar para Nossa Senhora e com Ela sentir a suavidade de seu amor maternal, que aponta o caminho da Iniciação a Vida Cristã, que vai levar-nos ao conhecimento do amor e a necessidade que temos deste amor.

 Junto dela e com ela contemplamos o Filho bendito nascido do seu ventre, ouvindo-o “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

Que possamos sentir em nosso coração o amor que Maria sentiu por seu filho, e sermos corajosa como ela foi, dando o seu sim, como escreve Lucas 1,37 “Eu sou a serva do Senhor. Aconteça-me segundo a tua palavra”

Fiquem com Deus e tenham uma excelente semana.


Diac Artur Carlos Pereira

Referencias:

Bíblia TEB

https://www.dehonianos.org/portal/19o-domingo-do-tempo-comum-ano-a0/

Liturgia Diária Deus Conosco Missal Dominical, Paulus

Missal Dominical, Paulus

Revisão: Professora Rosa Camila Portela


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